Hoje eu acordei sem sal
sem roupa, sem moral.
Quem tiver boca que ler, me ouça.
Não quero o teu silêncio.
é a palavra que me excita.
Desassossego
Eu desejo que você me lamba
I N T E I R O
No sentido visceral da coisa.
Quero sentir tuas papilas roçarem
meus pelos
tua língua molhar minha epiderme
encher meus poros rasos
É impossível não ranger
em-lou-que-cer
ser
Que ouçam!
Ouçam se quiserem, e
o que não quiserem - engulam.
Quero uma dose de verdade.
Eu desejo você cru,
pronto
pele áspera, peluda, salgada.
Já não tenho títulos, nem brio
Puta que pariu.
Afinca tua língua onde queres
Se queres,
segues minha mão
eu q’era menino
dispenso coração, tenho saco.
me lambuza mais.
Me banha com teus fluidos;
Vestes no chão
Eu nu
suo
Não me cabe o teu decoro
Só sinto o que em mim arde
Me arde do juízo aos pés
Eu rumino o teu pudor
eu engulo o teu gemido
teu suor lava
do cangote ao cóxis
guardo inteira em mim
tua semente,
Eu estéril
vil
Que todos os pecados ardam
Hades!
Hoje eu acordei sem sal,
mas vivo
e como vivo.
Um comentário:
Belo poema! Estilo experimental, tento como objetos poéticos a importância da relação dialética com os signos.
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