Hoje
Era um poema de aniversário, que não nasceu.
O tempo renegou.
Foi engolido no frigir das horas.
elas, alucinadas saltavam do alto d'um ferro fundido
aquecido.
O poema que não coube em 140 [cento e quarenta] caracteres.
Escapou, era fluido demais.
Volátil, insípido, sabe?
Moroso.
Não flutuou no mar,
sim
o mar que engoliu minhas ideias menos sensatas, mais cafonas
CA-FON-NAS.
E fez-se um espaço vazio, o tempo não digeriu, nem a terra comeu.
Jogou no chão
Não dissolveu, ruminou.
Era um poema que não nasceu,
nem sangrou, só padeceu.
Bottine
