Eu minto o tempo todo
a
ti busco no ladrilho
prateleiras,
nas dobradiças
na poltrona
no ônibus
de ida ao Rio
feito um pavio, riu.
Busco-te em mostruários
nos telefones públicos
em catracas
nas paredes rabiscadas
no pretérito.
Em igrejas
nos papéis
cartões e bilhetes.
Mentes.
É o barulho que me alerta
e me bagunça
e me enlaça
e chegam os nós
a cego
me prego
as voltas
a fio
a frio
Tudo é um vazio que roda
Corrente
Lonjuras
Ah, me falta ar.
A água é sal duro.
Te vejo
no movimento da maré
à sombra
Te busco no arrepio
nas ranhuras
no ronco d'um motor
Te busco em minhas entranhas
na maldade exaltada
na minha inquietude adolescente
Te vejo em pausa
nas horas que passam
passo a passo
me desfaço
feito gelo em temperatura ambiente
Te pego na bagunça
atrás das portas
na cominheira
sobre o fogão
nas chaminés
embaixo da mesa
entre os dedos
em meu juízo
nos miolos das fechaduras
em minhas trincheiras.
Nessa guerra
qu'eu te acho
E resgato como
minha salvação.
Tua existência
atiça cada átomo
do meu corpo
Lei do engano.
Quiz
Vou vomitar você
antes do fim dessa poesia
pedaço por pedaço.