sexta-feira, julho 26, 2019

IN constante

O que vem depois do fim?
... [reticências]

Cabe tanto dentro de três pontos
até um coração em metastase.

Cabe a fadiga
eu tenho sedes afetivas insaciáveis
e uma canseira medonha.
Ando em círculos imagináveis
fatigado de procuras inúteis.

Eu vejo gente morta
eu vejo o que te assombra.
Tua sombra me revela
o que em mim é violado,
vilipendiado.
Alucinado.


Eu nunca te amei,
eu sinto falta
fica remoendo em mim
desejos compreensíveis

Dois mundos
um quadrado
outro um losango
E eu torto
crise
um vazio incadecente
destroçado

Meu coração é uma puta
com a boca borrada
de baton vermelho
barato.

Meu coração
é um deserto tóxico
rádio-ativo,
arrependido
varrido numa tempestade estéril.
Cansado.

Já não bate, lateja
rasteja.

terça-feira, julho 09, 2019

IN tenso

Suor, silêncio, desejo
tentação
suspiro
não pode ser verdade,
sinto que quero você
mas
eu minto.

Eu nego
eu só-nego
eu renego
deprimo
eu re-primo
eu minto

Eu comprimo
eu dilato
faço pacto
eu enlato
eu descarto
saboto
eu minto

Eu cato
disfarço
mato
maltrato
eu fraco
pressinto,
eu minto

Eu sinto
sucinto
fá-minto
eu sinto
instinto

Mar-ujo
Sim,
eu minto.
moço alucinado
tá um caus
puto, pulso, eu sinto.
me solta.
res-piro
eu finto

Amo você de verdade
amo você de mentira
eu minto
olho no olho, dentes, língua, saliva
Tiro tua roupa ou tiro a minha vida?
Eu m-i-n-t-o.


IN Sulto

Te procuro nos vazios
nos cantos
nos becos
nus
nas brechas
na indiferença
me perco.

E sigo
procuro
nas entrelinhas
nos tocos dos cigarros
nas cartas que devolvi
nas gavetas
nos cantos do olho
nas quinas da janela
no vácuo do meu desejo
me perco

Te procuro sobre rodas
no barulho do motor
no escapamento.
Nu, te procuro
nu banco de couro
na saliva com tabaco
te procuro em minhas pernas
no pêlo
pelo chão
me acho.

Procuro-te
nas goteiras
na cumeeira
nas eiras
beiras
a minha maneira.

Te busco
escondido
nos capacetes
dia frio
Te procuro na fumaça
no chiado sobre o fogão.
Te procuro no caderno de senhas
entre os dedos
das mãos
nos programas
Na TV muda.

Te procuro na dúvida
Amo você de verdade
Amo você de mentira
Eu minto para mim
me perco.

Nu.

Te procuro
na vontade
Eis minha sina.
Eu sei teu endereço,
teu esconderijo
rídigo
IN sulto.
Corta o pulso.

sábado, junho 01, 2019

IN feliz

Olhar perdido
engolido
vazio negro
cortado ao meio
lista amarela
hora cortada
hora contínua
na beira
paralelas
brancas
tantas.

Eu no cio
vazio
calafrio
imbecil.
imbecil
imbecil.
cio

Eu sei
Eu não posso
não devo
Eu não sei
sei e eu quero.
Você é tóxico
Você é meu mal
maldito
maldito
maldito

E vem
passa e ignora
toma meu sossego
em três tempos
um, dois, três
desassossega...
Já deu!

Eu busco o teu farol
no passar de tantos outros
eu vejo você de costas
eu enxergo você até quando não quero
eu busco
e te acho
e me perco toda vez que vejo a preta
qualquer preta
ela me chama
arde em chamas.

o barulho do motor honda me guia
decorei a placa 
me orienta
e me desorienta
oito, um, sete,
eu de quatro
não tenho sete vidas

Dei todas
Sem querer
Sem entender
que meu mau é ser de você. 

sexta-feira, maio 31, 2019

IN ocente

Engoli a seco
soco
um troço ácido,
disforme, espinhado
azulado.

Não era d'comer.
Não era d'beber.
Desceu a seco
cortando tudo
fazendo sulcos n'alma
do alto do céu à palma dos pés.

Antes
Fez-se um embrulho no bucho.
Explodiu.
Parecia um dinamite atômico
mas era apenas uma bomba
atônita.

Booom!!!

E... fez-se deserto.
sem borboleta
sem cores
fez-se todo areia
morna, insípida.

O veneno: as palavras que eu nunca disse
a causa: um poema preso.

Meus lábios rachados
marujados,
enferrujados.
E tu impregnado em meu suor,
filtrado
na urina.
Um soco no alto da virilha
- a mira.

Cuspi você.
Eu SUS[pirei], pirei, (mirei)
e atirei.

quinta-feira, maio 16, 2019

IN vá.cu.o


E veio ter comigo, uma tal saudade,
aquela que cheira a livro velho.
Anos folheados
com dedo molhado à língua.
Chegou empoeirada
com um punhado de feridas
carne viva.

Feito um pacote.

E eu...
Eu senti falta da rotina
do meu lugar no sofá
do carona na moto
das idas e vindas
mal-resolvidas
Ah! Senti falta de tua cama dura
do teu controle
senti falta do meu dez-controle.

Eu era entrega,
tu eras indiferença.
Nata

Senta aqui,
Vamos conversar.
E me disse:
- Eu não te amo +,
- Eu não sinto saudade.

VÁCUO

Caí num abismo ensurdecedor
Nesse dia eu morri pela metade.

E vieram os cornos
chamadas não atendidas
E as histórias, eram tantas as estórias
permiti.
Era um fantasma pálido, sem escrúpulos
nem dentes, apático, pesava 1[uma] tonelada e meio.
Mas onde estavam as provas?

Me di-vi-dia inteiro.
Eu era o sacrifício.
Eu era os eu te amo que tu não querias que eu dissesse.
Mas toda vez que eu os dizia, eu acreditava.
Suspirava.
E virei uma coisa sem nome.
Eu existia
Mas todo o dia
[eu] morria.

E me veio essa saudade de tua voz
de teu toque
de tua pele
de teus nós
do teu feijão com hortelã.
de teus pés nas minhas costas.

Eu acordava antes só para te olhar
e olhava, olhava, olhava.
quando ainda dormindo de bruços e dobravas uma das pernas
às vezes as duas.
era nessa hora q'eu sorria
sozinho.

No banheiro a vida me esbofeteava
de frente ao espelho embaçado, desbotado.
Eu vasculhava
cada chamada recebida, cada SMS era um tapa,
um soco inglês:
E doía, doía, doía
aiii, ardia!
Era lá que a verdade me batia.

Era uma dor quase esquizofrênica,  
aquela nó nas tripas,
seca feito cipó.

Dizem que a morte leva a dor, mas d‘onde vinh’a minha?

Eu voltava,
passava o café.
O café me refazia.
Eram 3 colheres de pó para 6 de açúcar
e trazia à cama com uma flor na bandeja.
Por dentro eu era todo, agonia.
E morria outra vez.
Expectativas famintas
era eu - pele e osso.

E lá veio a vida, ela mesma, a carrasca
indolente, ela sorria.
De boazinha ela não tinha nada
todas as vezes que eu morria, ela me trazia
e me arrastava pelos cabelos
ela sempre sorria
ela sabia q'eu sofria.

Estava oco
preso na casa 20
eu minguei,
fui suportando
sufocando engasgando
fui à forca
E eu morri.

Tinha passagem só de ida,
e eu fui.

Hoje eu te encontro na fila do supermercado
a conta: 13 anos
a compra: um saco cavo transparente, cheio de saudades
escrito um nome:
Mário.

IN PULSUS

Quem tiver olhos para ouvir, leia.

Hoje eu acordei sem sal
sem roupa, sem moral.
Quem tiver boca que ler, me ouça.
Não quero o teu silêncio.
é a palavra que me excita.
Desassossego
Eu desejo que você me lamba
I N T E I R O
No sentido visceral da coisa.
Quero sentir tuas papilas roçarem
meus pelos
tua língua molhar minha epiderme
encher meus poros rasos
É impossível não ranger
em-lou-que-cer
ser
Que ouçam!
Ouçam se quiserem, e
o que não quiserem - engulam.
Quero uma dose de verdade.
Eu desejo você cru,
pronto
pele áspera, peluda, salgada.
Já não tenho títulos, nem brio
Puta que pariu.
Afinca tua língua onde queres
Se queres,
segues minha mão
eu q’era menino
dispenso coração, tenho saco.
me lambuza mais.
Me banha com teus fluidos;
Vestes no chão
Eu nu
suo
Não me cabe o teu decoro
Só sinto o que em mim arde
Me arde do juízo aos pés
Eu rumino o teu pudor
eu engulo o teu gemido
teu suor lava
do cangote ao cóxis
guardo inteira em mim
tua semente,
Eu estéril
vil
Que todos os pecados ardam
Hades!

Hoje eu acordei sem sal,
mas vivo
e como vivo.