sexta-feira, maio 31, 2019

IN ocente

Engoli a seco
soco
um troço ácido,
disforme, espinhado
azulado.

Não era d'comer.
Não era d'beber.
Desceu a seco
cortando tudo
fazendo sulcos n'alma
do alto do céu à palma dos pés.

Antes
Fez-se um embrulho no bucho.
Explodiu.
Parecia um dinamite atômico
mas era apenas uma bomba
atônita.

Booom!!!

E... fez-se deserto.
sem borboleta
sem cores
fez-se todo areia
morna, insípida.

O veneno: as palavras que eu nunca disse
a causa: um poema preso.

Meus lábios rachados
marujados,
enferrujados.
E tu impregnado em meu suor,
filtrado
na urina.
Um soco no alto da virilha
- a mira.

Cuspi você.
Eu SUS[pirei], pirei, (mirei)
e atirei.

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