Naquela estação desamparada,
meu coração gelou.
Vagões vazios -
rangiam os dentes.
Fim de linha.
Calado, o passar da noite
dançava no rastro da flama.
Na beira do fosso,
serpentinas, brilho e fantasias
abraçavam o inverno
sem intimidade.
O trem gemia.
Aquilo não poderia ser o soar de um apito,
era um lamento.
Foi um adeus tão profundo
que o eco da minha voz entendeu.
A paragem de uma saudade
nasce da falta de si mesmo.
Eu fiquei [em partes],
gritando feito criança
em primeiro dia de aula,
na escola.
Pausei no tempo, feito aos relógios
que deixam de respirar,
e o tempo, cansado, sentou-se ao meu lado
sem qualquer ruga.
Ahh, o tempo, ele era jovem,
sem rugas, cicatrizes,
nem nariz, nem pés.
Detalhe: ele não sorria.
Não tinha boca, nem barba.
Olheiras.
Orelhas.
Olhos rasos.
Ele suava calmamente,
e tremia.
Cada vagão,
a cada passada,
meu ar
ia.
Sabe o tempo?
Ele mesmo, antes da saída,
guardou teu olhar
num cofre.
Eu, sem muito esforço,
suspirei e ruí.
Nenhum comentário:
Postar um comentário