Estou em constante alerta
Meu estado de defesa é permanente
Não é fácil para mim confiar
nem nas pessoas
nas coisas e intenções
A todo tempo meu instinto grita
cuidado,
Pois, até o amor te agride.
Talvez porque tenha sentido
cedo
que nem toda blandícia
era abrigo.
É sabido que alguns afetos
se apresentam disfarçados em tempestade,
assim como promessas embrulhas em papel de jornais.
Pela manhã elas somem.
Então, eu vigio as portas.
escondo as chaves
enterro os meus segredos
nem revelo se há cofres.
Desconfio do colorido das flores,
de gestos gentis,
de palavras bem colocadas.
Tudo é efêmero
no meu lasso pensamento.
Aço.
Não revelo que espero,
espero,
espero o momento em que a ternura mostrará os dentes,
alvos e afiados como agulhas.
Creio que todo abraço se mede em distância
e que presença é a expansão nebulosa da ausência.
E assim,
sem perceber,
vou erguendo muros
s i l e n c i o s a m e n t e.
Tenho em mim
um coração arquejando
uma costureira silenciosa
que insiste em remendar memórias com
barro e saliva.
e também dois sentinelas armados.
Um quer pregar as janelas,
o outro mastigar as cortinas.
Um sonha com chegadas,
o outro ensaia despedidas
antes mesmo do primeiro abraço.
E enquanto travam uma guerra silenciosa
nos corredores do meu peito,
o amor permanece à porta —
paciente,
cauteloso.
Como quem reconhece a linguagem
as marcas
e sabe que certas feridas
não se fecham à força,
nem se curam com esperança.
A delicadeza,
o tempo
a régua
a dose
o remédio
assoma com a coragem
de ficar
rasgar-se e remendar-se.
O amor -
ele ficou à porta,
Embriagado na esperança
esperando que eu aprendesse
a reconhecer
que nem todo toque é violação,
nem todo afeto arde -
nem agride.
Ah! Então,
amor,
entra aqui e fica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário