O beijo quando encaixa
deveria ter outro nome:
não selo, não trova, não sopro,
mas um verbo que arde com fome.
Não é mero encontro de lábios,
é uma volta no precipício,
o ponto exato onde a língua
descobre esconderijo
do gosto do outro.
Beijo é palavra para o gesto.
Chamá-lo apenas de beijo é insuficiente.
Beijo não cabe em dicionários
É abrigo e vertigem.
É ternura e incêndio.
É chegada e partida.
É promessa
É ternura e incêndio.
É chegada e partida.
É promessa
e é dívida.
Por isso, o beijo quando encaixa deveria ter outro nome.
Limitar-se e chama-lo apenas beijo é insuficiente.
Ah, o beijo! É o inopto do que vem depois.
A natureza do beijo é dolosa.
Naquele instante, não são duas bocas que se encontram.
São duas almas que descobrem, enfim, que são a mesma.
O beijo quando encaixa deveria ter outro nome.
Naquele instante, não são duas bocas que se encontram.
São duas almas que descobrem, enfim, que são a mesma.
O beijo quando encaixa deveria ter outro nome.
C A T I V E I R O.
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