Ninguém jamais me olhou feito tu.
Como se, naquele instante, o mundo inteiro coubesse no universo do teu olhar.
E então, tudo parou ao redor: o vento, o ruído, as distâncias.
Houve apenas silêncio - denso, íntimo, quase sagrado,
que nasceu na tua pupila e veio bagunçar os meus sentidos.
E neles, ouvi o teu pulsar - o intervalo da tua respiração.
Ouvia calado como quem escuta um segredo,
como quem decifra o hiato entre um suspiro e outro,
que o amor também se diz no que não se fala.
E, nessas horas, em transe
entre um olhar e outro,
senti como se o tempo tivesse aprendido a esperar por nós.
Tua íris guardava histórias que não ousava dizer,
e ainda assim, eu as compreendia, uma a uma,
como quem lê versos em braile sobre a pele.
Havia algo de eterno naquele encontro,
como se o relógio, tivesse ajoelhado diante daquilo que nascia.
R E N D I D O,
E eu, quase sem ar, permaneci ali,
aprendendo a linguagem muda do teu afeto.
Onde cada movimento era um abrigo,
e cada suspiro, uma promessa.
Se existia dúvida antes de tu, ela se dissolveu naquele instante -
que eu pararia a Terra de girar,
porque há encontros que não pedem explicação,
e, quando acontecem, transformam tudo o que somos.
...
E fez-se um trovão no teu olhar,
e nele vi, nu, o pulsar do teu coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário