domingo, maio 17, 2026

IN Transe

Ninguém jamais me olhou feito tu.

Como se, naquele instante, o mundo inteiro coubesse no universo do teu olhar.

E então, tudo parou ao redor: o vento, o ruído, as distâncias.

Houve apenas silêncio - denso, íntimo, quase sagrado,

que nasceu na tua pupila e veio bagunçar os meus sentidos.

E neles, ouvi o teu pulsar - o intervalo da tua respiração.


Ouvia calado como quem escuta um segredo,

como quem decifra o hiato entre um suspiro e outro,

que o amor também se diz no que não se fala.

E, nessas horas, em transe

entre um olhar e outro,

senti como se o tempo tivesse aprendido a esperar por nós.

Tua íris guardava histórias que não ousava dizer,

e ainda assim, eu as compreendia, uma a uma,

como quem lê versos em braile sobre a pele.

Havia algo de eterno naquele encontro,

como se o relógio, tivesse ajoelhado diante daquilo que nascia.

R E N D I D O,

E eu, quase sem ar, permaneci ali,

aprendendo a linguagem muda do teu afeto.

Onde cada movimento era um abrigo,

e cada suspiro, uma promessa.

Se existia dúvida antes de tu, ela se dissolveu naquele instante -

que eu pararia a Terra de girar,

porque há encontros que não pedem explicação,

e, quando acontecem, transformam tudo o que somos.

...

E fez-se um trovão no teu olhar,

e nele vi, nu, o pulsar do teu coração.

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