Ninguém vai me salvar.
- Eu sei!
- Eu sempre soube.
Mas finjo - como quem fecha os olhos
para ver se o mundo muda de lugar.
Há um silêncio que pesa no meu peito,
um tipo de espera que não se explica,
desoriente mas ampara, e eu carrego.
Iludido
Os dias passam
como areia entre os dedos -
pálidos demais para enxergar,
calados demais para suportar.
E espero.
Espero um sinal,
um toque,
o acaso bem calculado.
Uma esperança murça
Um milagre sem santo.
Espero alguém atravessar à porta
com soluções simples
ou promessas decoradas.
Um punhado de paz,
um norte ou sentido,
um porção d'mim
de volta.
E ninguém vem.
Não ouço passos no corredor,
nem recebo cartas na caixa postal,
nem chega um mensagens de voz
nenhum e-mail,
Nada.
Nada que lembre meu nome.
Nenhum mensageiro bate à porta
O meu pensamento grita urgência(s).
Inerte.
E ainda assim, espero.
Mesmo quando o peito aperta,
mesmo quando falta ar,
mesmo quando tudo em volta diz
que não há nada vindo -
NADA.
Eu espero.
O tempo não cura, amarga.
Ele alonga a espera,
Não existe remédio para angústia
Ela se entranha nas paredes do pulmão.
E quanto mais o tempo passa,
a ferida cresce.
o relógio não ajuda.
O agora, atormenta.
Marejo no desespero,
na desperança de que esteja errado.
Sonho: em algum lugar,
ainda haja uma exceção.
Mas não há.
Não há santo atravessando os tapetes,
nem mãos estendidas com respostas prontas.
Não há palavras sagradas que reorganizam o caos,
nem forças invisíveis para me escolher.
Não há.
E mesmo assim,
eu construo cenários:
um encontro improvável,
um olhar vago que entende tudo,
um convite para viver o que eu nunca vivi.
Eu imagino o alívio,
a leveza,
a transformação suave
de quem finalmente foi visto.
Mas a porta não abre.
O telefone não toca.
O mundo não muda.
E eu continuo aqui,
entre o que sei
e o que insisto em acreditar.
Porque, no fundo,
é mais fácil esperar
do que encarar o abismo
ecoando que ninguém vem.
E então a vida passa -
sem anúncio, sem aviso, sem cerimônia.
E ao fim, tudo vira cinzas.
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