sábado, julho 18, 2020


Do nada, um sentimento
que não quero definir.
E chegou com ânsia, um desejo sem pé nem cabeça,
nem olhos, nem juízo
um descontrole.
E me deixei sentir, sem julgar...
Sem(ti).

E... uma falta de ser,
de ser o (eu)mesmo,
inteiro,
e em si,
(nu)
olho no olho.

Encarar-se arde.
E me abraçou pelas costas
uma carência conhecida,
aquela dissimulada.
pôs uma das mão no meu peito
outra na vista.
Chegou muda - a masoquista
a dona da situação,
com suas mentiras enfeitadas
flores,
papel presente,
e um chocolate.

E me disse: estás sozinho,
sem ninguém (até sem ti mesmo)
e o tempo tem passado
feito um fiapo d'água fria na areia.

E completou: - cheguei trazendo teu desassossego.
A'quele que te revira ao avesso...
te rouba a calma,
inquieta tu'alma
.
Eu roubo tua paz.
Sim!
A paz, a boazinha,
e que te engana.
Ela é linda,
mas é fingida.
É frigida.

Conheço-te de entranhas,
vivo em teu passado
e te assombro.

Só eu sei o que tu queres...

Queres o “amor”? Queres!
Queres afeto,
queres cartão com orquídeas,
queres quem te abra a porta,
queres a segurança que te centra,
queres noites,
lua, mar e dias quentes ar(dentes).

Queres tardes de chuva
pernas entre-laçadas,
queres passeios,
planos,
rotas de fuga,
fritas,
conversas tantas,
arte,
vinho caro,
chinelo de borracha,
carimbos, livros
Cheiro de terra molhada
passaporte riscado,
asas, malas
nu-vem.

Queres o que te a-calma,
e
tira o eixo,
queres pés descalços,
boca, aviões, chão.
música boa, sorrisos tímidos,
olhares de santo, filmes.

Cheiro de boca, cangote
pele ralada, cabelos molhados,
suor, pelos combinados,
livros novos, fumaça.

Queres cachorro,
casa branca, grana miúda
e gastronomia,
e astrologia,
e taquicardia.

Queres tempo livre
momentos intermináveis
e meia luz, bebida quente, jazz.
Convites,
Suítes.

Queres vinho barato,
porre, dança, terra,
cartão magnético
escrita cursiva,
manhãs com neblina e conchinha,
sono leve e mão pesada.

Queres arquitetura, dura
a cura, maresia
e presentes.
Queres infinita(mente)
no presente.

Eu bem te conheço,
e por isto chego
cheia de verdades.

E tem mais:
- queres presença
e a ausência que endoidece,
o ego.

Queres a sorte
de um amor pagão,
dis-simulado, cru,
original, sem amarras,
sem pretextos.
Real.

Queres paixão
naquela caixa gigante
embrulhada em papel liso
com laço de fita em brasa.

Queres a presença
peito estufado, braços desenhados,
pele áspera, nuas, suadas
geladas.

- Não baixa à vista: 
Eu sei que tu queres.

Queres sim! E se pudesses querias a.go.ra.
ah hora.

Queres cheiro de carne
misturado a perfume fino
entranhado no travesseiro ao lado,
queres fazer teu jogo,
e tua cena.

Queres perder a chão.
Descontrole.
Queres o caus.
o vacilo.

E é assim qu'eu chego,
pondo porta a baixo,
revirando a poeira dos cantos,
soprando embaixo dos  tapetes.
viro um furação...
por que eu sou a vida
gritando que tudo é marginal.

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